sexta-feira, agosto 13, 2010
Festa no Ilê Axé Odara
Omulu - Obaluaiê

Nana Buruke, queria um filho e pediu a Ifá, o Deus do destino, que revelasse o que ela desejava saber, e Ifá respondeu: que ela teria dois filhos com Oxalá, ela ficou muito feliz, passados alguns anos, Nana ficou grávida e teve o primeiro filho, pois o nome de Obaluaie, logo no primeiro olha o rejeitou, depois de alguns dias ela o abandonou na praia, numa cesta de palha da costa, deixou o garoto lá e saiu, passado no local YEMANJÁ, viu toda a cena, se aproximou da cesta e pegou a criança em seus braços, logo se encantou por aquela criança, cuidou dele como se fosse seu filho querido, sempre contou tudo o que lhe aconteceu.
Obaluaiê se transformou no lindo rapaz, que foi em busca das festas, mulheres, bebidas e se divertiu muito na sua mocidade, mas com isto trouxe muitas doenças venérias, e com varíola e outras doenças, Obaluaie um moço bonito começava a se transformar com o corpo todo machado e chagado das doenças ele envergonhado, pegou com um punhado de palha da costa, e fez uma roupa que lhe cobria da cabeça aos pés para que ninguém visse seu rosto nem seu corpo.
Obaluaie é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas. Ele tem, também o poder de as curar. As doenças contagiosas são, na realidade, punições aplicadas àqueles que se conduziram mal ou o ofenderam. Seu verdadeiro nome é perigoso demais para ser pronunciado, por isso aqui foi omitido. Por prudência, é preferível chamá-lo de Omulu (Filho do Senhor), ou Obaluaê (Rei, Senhor da Terra).
Orixá da cura, continuidade e da existência !!!
Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluaiê não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava dele.
Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê (festa, dança, brincadeira) estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.
Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê, o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador.
Obaluaiê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.
terça-feira, agosto 10, 2010
Ilê Axé Odara convida a todos para o OLUBAJÉ
O Ilê Axé Odara convida a todos os irmãos e amigos para a grande festa em homenagem à nosso Pai Obaluaiê: OLUBAJÉ.A festa acontecerá na sede do Ilê onde serviremos também o tradicional banquete do "PAI" a todos os convidados.
Endereço: Rua São Sebastião, nº. 795. Bairro de Fátima.
Itabuna - Ba.
Fone/Fax: (73) 32122167
Data: 14 de agosto de 2010
Horas: 21:00
Olubajé
O Olugbajé é a festa anual em homenagem a Obaluayê, onde as comidas são servidas na folha de mamona. Rememorando um itan (mito) onde todos os Orixás para se acertarem com Obaluaiyê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô por sua maneira de dançar.Olubajé é ritual especifico para o orixá Obaluayê, indispensável nos terreiros de candomblé, no sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé. No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida, sobre uma folha chamada "Ewe Ilará"
Olubajé É Uma Palavra Iorubana E Que Significa Olú : Aquele Que ; Ba : Aceita ; Je : Comer .
Aráayé a je nbo , Olúbàje a je nbo”
Tradução:
Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.
Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.
Diz uma lenda que Xango, um Rei muito vaidoso, deu uma grande festa em seu palácio eocnvidou todos os orixás, menos Obaluae, pois suas caracteristicas de pobre e de doente assustavam o rei do trovão. No meio do grande cerimônial todos os outros orixás começaram a dar falta do Orixá Rei da Terra e começaram a indagar o por que de sua ausência, até que um deles descobriu de que ele não havia sido convidado, todos se revoltaram e abandoram a festa indo a casa de Obalaue pedir desculpas, Obalaue se recusava a perdoar àquela ofensa até que chegou a um acordo, daria uma vez por ano uma festa em todos os orixás seriam reverenciados e este ofereceria comida a todos com tanto que Xango comesse aos seus pés e ele nos pés de Xango, nascia assim a cerimônia do olubajé.
Lenda de Obaluaiê
Iansã era uma mulher muito curiosa, de todos queria noticias e tudo queria saber. 09 de Agosto, Aniversário de nossa Yalorixá!
Mãe, sua bondade e ternura falam-me de Deus-amor!
Você me faz sentir a vida, a beleza das cores, a harmonia, o encanto e a doçura!
Hoje quero dizer-lhe um segredo muito especial: nós te amamos!
Eu sei também que, de seu coração, brota sempre um gesto novo de amor e carinho! Você é capaz de esquecer o sofrimento e a dor para nos ver feliz!
Hoje, quero fazer por você uma prece muito bonita e sincera:
Mãe, você é o maior bem que eu temos neste mundo!
Você me faz crer, minha mãe, que esta vida vale a pena ser vivida, quando entregue por amor! Às vezes, quando a vida começa a ficar mais difícil, pensando em você, mãe, surge uma nova esperança e meu olhar começa a brilhar.
Você sempre espera de braços abertos os filhos e as filhas que precisam mais uma vez do seu aconchego, de sua compreensão e carinho, como se fosse a primeira vez.
Mãe! Presente de Deus para nossas vidas!
Mãe, receba hoje meu abraço e todo o meu carinho!
E, agora, gostaria que o meu agradecimento soasse mais forte do que todos os dias, porque hoje, mãe, é o seu dia!

A nossa família é o bem mais precioso que temos.
Principalmente os nossos pais, não importa se são nossos pais de verdade,
ou se são pais que adotaram você. O que importa é que eles te amem,
te passem tudo que aprenderam nessa vida.
Nossos pais merecem todo respeito e carinho do mundo.
Pois são eles quem nos dão tudo aquilo que temos e estão sempre se esforçando para nos dar aquilo que queremos.
Fonte: Mensagens e Poemas
terça-feira, agosto 03, 2010
Rita Ribeiro - Canto para Oxalá
Oni saurê
Aul axé
Oni saurê
Oberioman
Onisa aurê
Aul axé Baba
Onisa aurê
Oberioman
Oni saurê
Aul axé
Oni saurê
Oberioman
Onisa aurê
aul axé baba
onisa aurê
oberioman
Onisa aurê
Baba saurê
aul axé
Baba saurê
oberioman
Baba saurê
aul axé baba
oberioman
saul axé
TRADUÇÃO:
Rei/Senhor do Céu
De Energia, Força e Suprema Verdade
Rei/Senhor
Que continua Vivo Espiritualmente
Rei/Senhor dos Céus
Pai do Plano dos Orixás (Céu/Aruanda)
Sua Verdade é Suprema
sexta-feira, julho 30, 2010
ORIXÁS
Quando o século XVIII chegava ao fim as idéias liberais de “igualdade, liberdade e fraternidade”, que levariam à Revolução Francesa, conquistavam o mundo e encontravam eco também no Brasil, onde os senhores das terras e escravos, revoltados com os altos impostos cobrados por Portugal, começavam a ensaiar a independência.Essa “liberdade” não se estendia aos negros, que há mais de 200 anos vinham construindo a riqueza do Brasil Colônia. Cansados dos maus tratos – que incluíam castração, amputação dos seios e emparedamento de gente viva – eles fugiam e formavam os quilombos, aldeias encravadas nas matas brasileiras, onde tentavam reconstituir a vida que levavam na África.
Foi nesse clima tenso de rebeliões, revoltas e idéias novas que as divindades africanas chegaram ao Brasil, encarnadas no corpo e na fé do povo iorubá. Esses negros, que viajaram para cá amontoados nos porões dos fétidos navios negreiros, foram tratados e vendidos como animais, a peso de ouro, nos locais onde desembarcaram – Rio, Recife e Salvador. E no entanto, não deixaram de expressar sua devoção aos orixás e cultuá-los nas fazendas para onde foram conduzidos.
Aos domingos e dias santificados, reuniam-se em festas que aos senhores pareciam danças inocentes e alegres batuques. Na verdade, ali estava nascendo o Candomblé brasileiro. Para não levantar suspeitas nem atrair a ira dos senhores católicos, os negros associaram cada orixá a um santo da Igreja Romana. Jesus e alguns santos católicos chegaram mesmo a ser incorporados à religião africana, numa prática que ficou conhecida como sincretismo religioso.
Mas as diferenças entre cristianismo e candomblé são profundas. No candomblé não há bem e mal, e sim qualidades e defeitos que devem ser respeitados por expressarem aspectos dos orixás. E em vez de um só Deus, autoridade suprema, a religião africana tem vários orixás. Os de maior poder assumem formas diferentes, aparecem ora como velho, ora como novo, às vezes como rei, etc.
Essas entidades vivem no órun, reino sobrenatural refletido no aiyé, nosso mundo material. Aqui elas se manifestam na natureza e nos seres humanos, que herdam suas características físicas e psicológicas.
Respeitar os atributos dos orixás e homenageá-los regularmente, segundo o candomblé, traz ao homem força e saúde para viver as infinitas encarnações que lhe estão reservadas na planeta Terra.
Todas as divindades negras, que chegaram aqui para aliviar o sofrimento dos escravos africanos, também são associadas aos quatro elementos: o Ar, a Terra, a Água e o Fogo, por isso, os orixás contém toda a magia que comandam as forças da natureza.
domingo, julho 25, 2010
Canto de Oxum
Vinicius de Moraes
Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Xangô andava em guerra
Vencia toda terra
Tinha ao seu lado Iansã pra lhe ajudar
Oxum era a rainha
Na mão direita tinha
O Seu espelho onde vivia a se mirar
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar, fé-fé xo-ro-dô!
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Quando Xangô voltou
O povo celebrou
Teve uma festa que ninguém mais esqueceu
Tão linda Oxum entrou
Que veio o Rei Xangô
E a colocou no trono esquerdo ao lado seu
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Iansã apaixonada
Cravou a sua espada
No lugar vago que era o trono da tradição
Chamou um temporal
E no pavor geral
Correu dali gritando a sua maldição
(Eparrei, Iansã)
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
terça-feira, julho 06, 2010
Religião de cultura afro-brasileira ganha apoio do prefeito Azevedo em Itabuna!

quarta-feira, junho 23, 2010
XANGÔ
Sincretizado com São Jerônimo, devido a presença das formações rochosas, de um livro e do Leão (animal de forte associação com o orixá). Pode ainda vir sincretizado com São Judas Tadeu (devido a presença do machado, e do livro) e com São João Batista devido a semelhança de personalidade com o orixá. São João é comemorado com fogueiras, festas, está sempre com um carneiro...assim como o Orixá Xangô. Composição: Caetano Veloso/Gilberto Gil
Ai, Xangô, Xangô menino
Da fogueira de São João
Quero ser sempre o menino, Xangô
Da fogueira de São João
Céu de estrela sem destino
De beleza sem razão
Tome conta do destino, Xangô
Da beleza e da razão
Viva São João
Viva o milho verde
Viva São João
Viva o brilho verde
Viva São João
Das matas de Oxóssi
Viva São João
Olha pro céu, meu amor
Veja como ele está lindo
Noite tão fria de junho, Xangô
Canto tanto canto lindo
Fogo, fogo de artifício
Quero ser sempre o menino
As estrelas deste mundo, Xangô
Ai, São João, Xangô Menino
Xangô é cultuado no Brasil, sob 12 (doze) qualidades
- Afonjá - Afonjá, o Balé (governante)da cidade de Ilorin. Afonjá era também Are-Ona-Kaka-n-fo, quer dizer líder do exército do império. Segundo a história de Oió, no início do século dezenove, Oió era governada pelo rei Aolé, ele possuía aliados que eram espécies de Generais, que lhe davam todo o tipo de apoio mantendo assim o podes absoluto sobre o Reino Iorubá e os reinos anexados. Mas um dia um desses generais resolveu se rebelar contra Oió e se unir com os inimigos, esse general se chamava Afonjá que era conhecido como Kakanfo de Ilorin. Declarou-se independente de Oió. Com isso o Rei de Oió Aolé se envenenou para não ver o desmembramento do Império. Afonjá traíu o Império Iorubá, mas quando os rebeldes assumiram o poder Afonjá foi decaptado pelo seu novo aliado. Este alegou que se um homem traíu seu antigo rei ele voltaria a trair tantos outros.- Obá Kosso - Título que Xangô recebe ao fundar a cidade de Kossô nos arredores de Oió, tornando-se seu Rei. Título dado também a Aganju, irmão gêmeo de Xangô quando de sua chegada em Oió foi aclamado como o Rei Não se Enforcou, Obá Kô Sô.
- Obá Lubê - Título de Xangô que faz referência a todo o seu poder e riqueza, pode ser traduzido como Senhor Abastado.
- Obá Irù ou Barù - Título dado a Xangô logo após chegar ao apogeu do império, quando cria o culto de Egungun, é aclamado como a forma humana do Deus primordial Jakutá sobre a terra,senhor dos raios, tempestades, do Sol e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destroir a capital do Reino numa crise de cólera e depois arrependido, se suicida , adentrando na terra.
- Obá Ajakà - Também entitulado Bayaniym," O pai me escolheu ", que faz referência a ele por ser o filho mais velho de Oraniã, e ter por direito que assumir o trono, irmão mais velho de Xangô.
- Obá Aganjù - Ele representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos Vulcões.
- Obá Orungã - Filho de Aganju Solá e Iemanjá, dono da atmosfera é o ar que respiramos, dono da camada que protege a Terra.
- Obá Ogodô - Muito falado também, é apenas o que se diz sobre Xangô, pois, Ogodô é o verbo bocejar. Então, quando está trovejando, o que se diz é que Xangô está bocejando. Dai Xangô Ogodô, é apenas um título de Xangô.
- Jakutà ou Djakutà - Esse Orixá, é a representação da justiça e da ira de Olorun, míticamente Xangô foi iniciado para este Orixá sendo considerado como a forma divina primordial do mesmo. Ele foi enviado em sua forma divina por Olorun para estabelecer a ordem e submeter Oduduá e Oxalá aos planos da criação durante um momento de conflito entre as divindades. É o próprio Xangô.
- Obá Arainã - Oroinã e Oraniã - Personificação do fogo, o magma do centro da terra é o pai de Xangô e de Aganju em sua forma humana.
- Olookê - Orixá dono das montanha, em algumas lendas é um dos filho de Oraniã, foi casado com Yemanjá.
quarta-feira, junho 16, 2010
Sincretismo Religioso
Todas as sociedades conhecem alguma forma de religião, pois esta é um fato social universal encontrado em todas as partes desde os tempos mais remotos. Ao longo da história da humanidade surgiram muitas formas de manifestação religiosa, religiões surgem e desaparecem mais algumas resistem se transformam e estão presentes até hoje. A crença em algum tipo de divindade ou ainda, o sentimento religioso são fenômenos generalizados em toda sociedade e são inerentes ao ser humanoSincretismo é uma fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças religiosas, seja nas filosóficas.
Na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de concepções religiosas diferentes ou a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra.
No Brasil, o sincretismo é um fenômeno bastante comum, mas é especialmente relevante na Bahia, onde buscou-se adaptar nas crenças de religiões tradicionais africanas os rituais da fé Católica, religião predominante no Brasil.
É histórico que o povo dominante impõe sua religião ao povo dominado, no entanto no Brasil esta imposição do catolicismo contou com um movimento de resistência tanto dos aborígenes quanto dos negros africanos. Estes povos desenvolveram mecanismos para manter a integridade religiosa à ameaça externa, e acabaram por influências as práticas católicas oficiais com sistemas de crenças, superstições e práticas de curandeirismos.
Chegando aos montes nos navios negreiros, os negros africanos das mais diversas etnias já sofriam com os maus tratos nos porões dos navios. Aqueles que não morriam de banzo (depressão causada por uma tristeza profunda), desembarcavam nas diversas regiões do Brasil somente com um pertence pessoal: Em sua memória guardava suas crenças, seus costumes e suas tradições. Depois da diáspora a que foram submetidos os negros africanos, e vivendo cativos, o que não poderia ser-lhe tirado era sua fé religiosa. O misticismo norteou todas as atividades negras brasileiras, sendo que esta religiosidade influenciava até sua vida profana.
O candomblé era um dos meios que o africano utilizou para manter o sentime
nto de pertencimento a uma comunidade. Dentre outras práticas culturais como, por exemplo, a capoeira, o maculelê, a religião foi a que os negros se apegaram para manter viva sua memória e o sentimento da grande família africana. Para que se mantivesse acesa a atividade religiosa africana, na maioria das vezes, ela funcionou na clandestinidade: “Ainda que patrulhados pela Igreja Católica, pelas autoridades policiais e pelos senhores, para os quais a verdadeira manifestação do divino se expressava através do catolicismo, os negros perpetuaram os seus valores religiosos, recorrendo ao sincretismo, ou mesmo a manutenção de casas culturais com a finalidade específica de reavivar os ritos e mitos religiosos da África.”No catolicismo popular o sincretismo se manifesta através do culto às imagens de Nossa Senhora dos Navegantes e a Iemanjá, onde o mesmo símbolo religioso é utilizado para manifestações tanto na Igreja quanto no mar. A famosa lavagem das escadarias da Igreja Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, realizadas pelas mães-de-santo e filhas-de-santo, é outra demonstração da íntima relação do catolicismo popular com religiões africanas.
Há inclusive as chamadas “missas-afros” onde os padres, geralmente negros, usam indumentárias apropriadas para as festividades, sob os sons de atabaques, agogôs e cânticos que lembram rituais as festas nos terreiros de candomblé.
Nesta tradição religiosa sincrética, há na religião africana, a aproximação da santidade católica com as divindades da África. “Este sincretismo por correspondência Deuses-Santos, pode ser explicado historicamente, pela necessidade que tinha os escravos, na época colonial, de dissimular aos olhos dos brancos suas cerimônias”.Buscamos, na prática, a denominação religiosa que mais influência sofreu deste sincretismo religioso, verificando como ela faz uso dessa riqueza cultural e religiosa e que elementos ela agregou a prática do cristianismo para obter um número cada vez maior de conversão de fiéis à sua doutrina. Trata-se da Igreja Universal do Reino de Deus, que através de um confronto direto com a Umbanda, faz usos de elementos daquela religião para reforçar sua doutrina e dar credibilidade ao seu discurso de combate do “bem” contra o “mau”.
Todavia, esta postagem não tem por objetivo promover religiões, ou denominações. Antes sim, parabanizar nossa "raça", nosso povo afrodescendente, que sempre em nossa história, jamais se rendeu, ou se abateu diante das dificuldades e barreiras.
Axé!
Partes deste texto foram extraidas do artigo:
Sincretismo religioso no Brasil em Casa Grande & Senzala:
Influências na religiosidade brasileira
por Jefferson Gomes Nogueira



